Seja Corajoso!

“Seja corajoso. Mesmo que você não seja, finja que é. Ninguém pode dizer a diferença. Não permita que o telefone interrompa momentos importantes. Ele está lá para sua conveniência, não para os chamadores.

Não tenha medo de criar galhos. É lá que as frutas estão. Não queime pontes. Você se surpeenderá quantas vezes terá que atravessar o mesmo rio.

Não se esqueça, maior necessidade emocional de uma pessoa é de se sentir apreciado. Não dê importância a pequenas coisas. Não diga que você não tem tempo suficiente. Você tem exatamente o mesmo número de horas por dia que foram dadas a Pasteur, Michelangelo, Madre Teresa, Helen Keller, Leonardo Da Vinci, Thomas Jefferson e Albert Einstein.

Não se espalhe demais. Aprenda a dizer “não” educadamente e rapidamente. Não use tempo ou palavras descuidadamente. Nenhum deles pode ser recuperado.Não perca tempo sofrendo com os erros do passado. Aprenda com eles e siga em frente. Toda pessoa precisa do momento deles ao sol, quando eles levantam os braços vitoriosamente, sabendo que neste dia, nesta hora eles deram o melhor deles.

Tenha suas prioridades. Ninguém nunca disse no seu leito de morte “Nossa, se eu só tivesse passado mais tempo no escritório “. Dê uma segunda chance às pessoas, mas não uma terceira. Julgue seu sucesso pelo grau de paz, saúde e amor que você está desfrutando.

Aprenda a ouvir. Oportunidades às vezes batem à nossa porta muito suavemente. Deixe tudo um pouco melhor do que quando encontrou. Viva sua vida como uma exclamação, não como uma explicação. Solte-se. Relaxe.

Exceto por raras questões de vida ou morte, nada é tão importante como parece à primeira vista. Nunca corte o que pode ser desatado. Nunca superestime seu poder de mudar os outros. Nunca subestime o seu poder de mudar a si mesmo.

Lembre-se que o sucesso de uma noite normalmente leva cerca de 15 anos. Lembre-se que os vencedores fazem o que os perdedores não querem fazer. Busque oportunidade, não segurança. Um barco no porto é seguro, mas com o tempo o seu fundo vai apodrecer.

Gaste menos tempo preocupando-se com quem está certo, mais tempo decidindo o que é certo. Pare de culpar os outros. Assuma responsabilidade por cada área da sua vida. Sucesso é conseguir o que quer. Felicidade é gostar do que você conseguiu.

A importância de vencer não é o que conseguimos com isso, mas o que nos tornamos por causa disso. Ao enfrentar uma tarefa difícil aja como se fosse impossível falhar.”

Jackson Brown Jr.

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Texto original: Kkoolook

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Feliz Ano Novo!

New Year 2014_25

Li várias mensagens no Facebook de amigos e colegas que falavam das metas, resoluções para 2014 e de como foi 2013 para elas,  confesso que fiquei chocada com a maioria delas, pelo tom raivoso, pela afirmação triste de que o ano que está terminando foi uma grande bosta, que nada deu certo.

Gente… todo ano temos muitos momentos ruins, difíceis, quem não os tem? Mas também temos, ao longo do ano, boas surpresas, reconhecimento, respostas positivas para algumas de nossas questões (talvez mais do que esperamos ou merecemos). Não é tudo 99% ruim, imperfeito, feio e sem importância. Não posso acreditar nisso.

A vida tem um eco poderoso e ela nos devolve muito do que emitimos através dos nossos pensamentos, palavras, ações… eu sou prova disso, pois venho enfrentando meus demônios há uns bons anos e, normalmente, a coisa piora quando eu me fecho, quando escolho o sentimento errado para deixar inundar meu coração e pensamentos, para guiar minhas ações.

Estou falando isso porque eu não sou perfeita, não estou aqui para dar lição em ninguém. Eu erro, falo o que não devo, eu julgo, sinto raiva e praguejo também… porém, espero mudar isso todo dia um pouquinho. Não é fácil ter auto-controle em situações de fortes emoções, de rotinas extenuantes e que nos sugam quase toda energia. Cansa, desespera, entristece, machuca todos os envolvidos.

Então, olhando para trás e analisando minhas ações, decisões e escolhas em 2013, especialmente as que não quero que se tornem hábitos e dominem a minha vida, entendo que a primeira coisa, e mais eficiente, a ser feita no ano que chega é cuidar de mim, do que eu faço, penso e do que dou àqueles que convivem comigo. Só posso mudar a mim mesma.

Não serei exigente em 2014, não criarei listas com coisas que, obviamente desejo realizar, pois isso vai me gerar ansiedade, e criará expectativa. Quero sim, que meu coração esteja aberto para o que é bom, que Deus esteja sempre no meu coração e eu possa ser melhor para os que convivem comigo.

2013 foi um ano de grandes decisões, estou feliz e aliviada por ter voltado para casa, por reconhecer a hora de sair de cena, de encerrar relacionamentos ruins, que não me faziam bem e recomeçar. Não tenho medo disso, tenho medo sim de viver infeliz. Que o Novo Ano seja promissor, mais feliz, mais cheio de amor, abençoado e próspero para todos nós. E que tenhamos força e coragem  quando os maus momentos surgirem e sabedoria para decidir. Que Deus nos abençoe, proteja e afaste das más companhias.

Imigrar

Imigrar é se desapegar.
É se lançar…
É conhecer culturas…
Novas aventuras…
Totalmente desprotegido se jogar ao desconhecido.
É calejar de saudade…
E pedir de caneca, gestos de bondade.
Romper com raízes…
E criar cicatrizes.
É chegar desprevenido a mercê de bandidos.
Confiar no desconhecido que logo te tornas arrependido.
Receber sorrisos e de início acreditar que são verdadeiros abraços…
E mais tarde perceber que são totalmente falsos.
Viver na insegurança de um futuro que de real só há a esperança.
É ir e voltar em eternas despedidas, que te faz refém dar idas e vindas.
É sofrer da Síndrome do Aeroporto, da qual os sintomas passam por dor no peito, taquicardia, lacrimejamento, arrependimento, dúvidas, inseguranças, vontade de ficar, vontade de voltar.
É abraçar os mais velhos na despedida
E não saber se ainda os veremos com vida.
Imigrar para uns é sofrer, para outros é vencer.
Para os que sofrem em demasia, imigrar passa a significar prisão, escravidão.
Vira mesmo uma patologia, uma enfermidade…
Que a cura está no voltar ao seu país, à sua cidade.
Para os que vencem imigrar às vezes é meio dúbio; uma mescla de vitória merecida com a alma dividida.
Não há ao seu redor um amigo de infância…
Não há como partilhar as lembranças de criança.
A pergunta: “Está valendo a pena?” é uma constante neste tema.
Conclusões a parte, imigrar é fazer valer.
Vencendo ou perdendo, é fazer do perder um novo saber.
É ser o ator principal de uma peça apresentada no estrangeiro,
Onde ninguém lhe entende,
Mas você se faz presente.
É formar guetos,
porque é o jeito!
É buscar calor…
É fugir da dor…
E no meio dos novos amigos, até nos sentimos queridos.
Senão morremos de solidão…
Senão vivemos em solidão.
Passamos a ter um sentimento agridoce…
O doce e o salgado se misturam num coração dividido,
que sente os dois sabores despendidos.
A vida tem um ponto onde foi bifurcada, onde pegamos o caminho que sai do caminho.
O curso natural é mudado e criamos um novo caminho, onde não ficam pegadas marcadas no chão, porque é um caminho de solo duro, que na maioria das vezes não conseguimos voltar, porque não há pegadas, que indiquem o caminho de volta.
Imigrar é transpor um oceano de dificuldades …
e chegar em uma terra nova com um futuro sem muita especificidade.
Enfim, imigrar é sair de si mesmo, para mais tarde tentar se reencontrar…
É se desacomodar, para mais tarde achar algo mais cômodo…
É buscar um novo mundo e fazer dele o seu próprio mundo.
Com perdas e ganhos…
Com encontros e desencontros…
Tropeçando, caindo e levantando…
E o mais importante, é o não desitir e sim o persistir rumo ao objetivo fixado, ao sonho idealizado.

Euler Rocha

Li esse texto no Facebook de uma amiga e me vi em muitas frases. Essa em especial: “Imigrar é transpor um oceano de dificuldades … e chegar em uma terra nova com um futuro sem muita especificidade. Enfim, imigrar é sair de si mesmo, para mais tarde tentar se reencontrar…” 

Felicidade é…

… é ter amigos tão queridos, tão amados, tão poderosos que só com a presença deles, com seu riso, seu abraço e suas histórias (muitas em comum) enchem a minha vida de luz e alegria. A vida tem me dado tantas coisas maravilhosas que vou lembrar para sempre, que só posso agradecer. É indescritível essa sensação de felicidade, euforia, alegria que tenho dentro do peito hoje.

Minha amiga Jemima Pompeu lançou o livro Vizinhos de Útero, inspirado pelo blog do mesmo nome e fiquei muito honrada em fazer parte dele, em contribuir com um pouquinho da minha história de gêmea para o projeto dela. Jemima sempre muito generosa me enviou o livro de presente com uma linda dedicatória para minha minha mãe e eu em memória da minha irmã. Minha mãe ficou tão feliz e emocionada… foi um presente e tanto! Já agradeci a Jê, mas queria dividir isso com vocês também.

VizinhosUtero

Além disso, esse tempo que estou aqui no Brasil tem sido muito gratificante, mesmo com todas as dificuldades que aparecem por aí, resolvi um bocado de coisas, reencontrei amigos que não via há pelo menos 10 anos, relembramos tanta coisa. Ai… é MUITO BOM mesmo ter amigos, ser amada, querida, ter coisas em comum com pessoas tão maravilhosas. Não posso nem agradecer especificamente a um e outro, acabarei sendo injusta com aqueles que eu esquecer de mencionar aqui. Mas as fotos das reuniões, dos momentos que acontecem e acontecerão ainda falarão por si 🙂

Só quero dizer que vocês, MEUS AMIGOS, são o meu tesouro maior depois da minha família. Amo todos vocês… para sempre.

Estamos em casa!

Minha mãe teve alta ontem e viemos para casa depois de uma longa espera para ter a papelada da alta, laudo médico, orientação sobre os remédios e exercícios necessários em mãos. Porém, apesar do enorme cansaço acumulado nesses dias no hospital, ajudar ela a andar, subir as escadas, levar para o banheiro, sala, cama, preparar a comidinha dela foi bom. Dormir em casa, foi ótimo! Deitamos e apagamos….

Agradeço a todos que estão rezando, orando, pedindo à Deus pela recuperação dela. Aos amigos que se revezaram para que eu pudesse ter algumas horas fora do hospital esses dias, tomar um banho, comer, etc. Agradeço à minha família que tem sido um grande ponto de apoio e compreensão nesse momento. Como eu precisava disso, como vocês me fazem falta quando estou longe…

Estou feliz amigos, porque vejo que minha mãe está melhorando um pouquinho a cada dia, porque esse ambiente de casa é muito melhor que qualquer hospital… não aguentava mais acordar às 5 da manhã com os enfermeiros entrando no quarto para examinar ela, coletar sangue e etc. Nem ela aguentava mais, especialmente depois daqueles dias terríveis no CTI.

Meu vôo de volta para a Noruega estava marcado para amanhã, tentamos mudar a data pelo site e não conseguimos. Hoje fui ao aeroporto e falei com a atendente no balcão da Air France, no começo eles não queriam mudar a data, diziam que meu tipo de passagem não permitia mudanças. Expliquei as razões do meu pedido de nova data, por sorte eu tinha os laudos do médico do hospital e eles concordaram em mudar para o dia 30 desse mês. Mas vou tentar adiar isso um pouco mais, porque ela precisa de mim mais do que nunca. Torçam para eu conseguir resolver isso! Especialmente os amigos que ainda não puderam me ver 🙂

Apesar de todo o trabalho, do cansaço no fim do dia.. eu estou TÃO FELIZ por estar em casa, TÃAAAAAO FELIZ!!! Obrigada Deus por permitir isso,  cuide do meu marido amado enquanto estou por aqui, pois também sinto saudades dele. Impressionante como tudo acontece, como a vida está fervendo, me dando tanta coisa boa.

Encontrei um grupo que fala sobre espiritismo na internet, conheci algumas pessoas tão boas lá, com uma energia e pensamentos tão positivos, palavras de carinho e força, troca de idéias maravilhosa. E ainda reencontrei meu amigo querido Rogério, achava que nunca mais fosse ter notícias dele e de repente essa maravilhosa surpresa, receber uma mensagem no Twitter dizendo “oi, te achei de novo, que bom”. Mais que bom, é ótimo!

Bom demais estar com meu filho, que saudades eu senti dele nesse último ano. É ótimo podermos conversar ao vivo, é maravilhoso ganhar tantos beijos e abraços do meu polenguinho. Nada paga isso, nada mesmo!  Assim que for possível quero ir à praia, quero ir ao sítio da minha madrinha, quero me reunir com minha família, celebrar, comer e rir juntos. Enfim amigos.. estou feliz! 🙂

Quase dois anos depois…

Passada a euforia da novidade por estar vivendo em outro país, vem a realidade com suas doses diárias de saudade, de tristeza e frustração por estar longe. Eu sempre achei que voltaria ao Brasil para férias, para rever minha família e amigos, mas o que me trouxe foi uma emergência.

Saí muito cedo de casa no dia 31, Espen foi me levar ao aeroporto às 4 da manhã, coitado do meu marido.. mas voltou em seguida para tentar dormir algumas horas, pois ele ainda iria para o trabalho depois. Eu fiquei lá pensando, sem acreditar que estava indo para o Brasil. Eu me sentia exausta e assustada, tive muito medo de não ter tempo de chegar para ela me ver. Tive medo sim da minha mãe falecer.

Parei em Amsterdam e esperei umas 3 horas pelo próximo vôo. Tentei relaxar, andei pelo aeroporto, parei nas lojas para tentar me distrair e desisti. Fui para o segundo andar do aeroporto onde tem uma área para descansar, relaxar, com puffs, poltronas, cadeiras para você sentar, deitar e rolar. É uma área bacana, com plantas, e música ambiente imitando os sons dos passáros e de água correndo. Foi bom.. cochilei uns 15 minutos. Acordei nervosa porque ficava ouvindo a mulher no auto-falante dizendo “sr fulano de tal com destino à cidade tal você está atrasando o vôo, embarque imediatamente.” Juro que uma hora escutei ela dizer “Daniela você está atrasando o vôo!” Aí não quis mais dormir.

Resolvi acessar a internet e esperar o tempo passar, simplesmente ali, sentada olhando o movimento.. tinha 30 minutos gratuitos, deixei recado para minha família no Brasil, avisando que eu estava indo, mandei email par ao Espen e ainda bati papo com a Bete e a Larissa. Eu saí literalmente correndo para vir ao Brasil, não tive nem tempo de avisar ninguém.

O foda foi aguentar longas horas no vôo de Amsterdam para o Rio com aquela hiena holandesa sentada do meu lado com o namorado que ria sem parar. RIA MUITO!! Juro que achei que ela estava drogada ou se cagando de medo de voar… mais de uma hora falando merda pro carinha que estava do meu lado e rindo.. rindo.. rindooooo.. puta que pariu, que raiva! Se pelo menos eu estivesse na janela.. mas estava sentada nas poltronas do centro e tive que aturar essa louca a viagem toda. O rapaz sentado do lado direito do avião também estava incomodado com a barulheira, ele toda hora olhava na nossa direção, para vocês terem idéia do volume das risadas daquela jamanta.

Nada contra holandeses, mas eu estava muito puta mesmo com o comportamento dela. Quase pedi para trocar de lugar! E ela era minoria na área onde estávamos, ao redor de nós eram todos brasileiros (amém). Para fechar com chave de ouro, a dor nas costas aumentou absurdamente e eu ainda tive uma hemorragia que sujou meu jeans. Por causa da nova pílula meu ciclo está estranho, durou mais de 12 dias! Imaginem que beleza né? Troquei de roupa naquele banheiro mini e com o povo na porta fazendo fila…

Eu tentei dormir, mas a hiena voltava a ter ataques de riso de hora em hora. No final eu fiquei andando pelos corredores e não fiz a menor questão de ser delicada todas as vezes que levantei e me sentei ao lado do sorridente casal. O rapaz se deu conta que estava demais e ficou mais quieto, mas ela… Assisti a 3 filmes, ouvi uns 4 cds  e olhei aquele mapinha onde mostra onde o avião está, quantos quilômetros e horas de distância para o pouso.. sei lá, umas mil vezes! Na viagem de volta, como irei de noite, vou tomar uns dois valiums para apagar! Pelo menos não tinha nenhuma criança mala chorando. Isso também é algo irritante em viagens longas.

Foi muito estanho chegar aqui, estranhei o calor em pleno outono, fiquei horrorizada com a velocidade dos carros, a quantidade de gente nas ruas. Ainda me sinto perdida quando estou nas ruas, no mercado.. mas tem sido ótimo comer coisas que eu não como há quase dois anos! O cheiro da minha casa, tão familiar, tão aconchegante… ahh que coisa boa sentir isso ao abrir a porta! E como eu durmo bem à noite… no final da novela já estou fechando os olhos e durmo pesado, apesar de despertar às 6 ou 7 da manhã todo dia para continuar limpando a casa (essas faxineiras safadas não limpam nada direito). A dor nas costas sumiu depois de uns dias e um valium 😛

Duda, eu e Ana – Muita saudade!!

Vi algumas amigas, estive com a minha Duda e claro estou amando estar perto do meu filho. Em breve espero ter minha mãe em casa, cuidar dela para que ela se recupere e eu possa voltar para Noruega. Não foi fácil o que ela enfrentou, eu tive muito medo, especialmente quando ela precisou ser entubada e o coração deu sinais de fraqueza. Mas creio em Deus e espero trazer boas notícias logo. Um beijo amigos

 

Abuso Emocional

Esse texto foi postado em 2010 aqui no blog, mas quero que vocês leiam mais uma vez, pois o abuso emocional é algo muito mais comum do que se pensa.

UMA FORMA DE ABUSO EMOCIONAL
Simone Sotto Mayor

Nos dias de hoje, em que somos acossados pela violência explícita vinda de várias frentes, também somos muitas vezes testemunhas ou mesmo vítimas de um tipo de violência mais difícil de se visualizar e nem por isso menos virulenta. Essa violência advém de relacionamentos com pessoas perversas, que elegem uma vítima e passam a se dedicar à tentativa de destruí-la. Já que não é possível matá-la fisicamente, tentam assassiná-la moral, emocional e socialmente. Este tipo de ação vem sendo estudado por especialistas nos últimos anos e recebeu o nome de assédio moral uma forma de abuso emocional.

Mas, afinal, do que estamos falando? O que é um indivíduo perverso e mais, o que estamos chamando de uma relação perversa? Os estudiosos do assunto definiram indivíduos perversos como sendo aqueles que, sob a influência de seu grandioso eu, tornam-se capazes de tentar criar sempre uma relação peculiar com uma segunda pessoa. Neste tipo de relação característica, o sujeito perverso ataca particularmente a integridade psíquica do outro, visando desarmá-lo e deixá-lo à sua mercê. Assim, são atacados igualmente o amor-próprio do outro, sua confiança em si, sua auto-estima e a crença em si próprio.

Todas as pessoas estão sujeitas a terem momentos de perversidade moral do tipo descrito em suas relações com os outros. A diferença é que os verdadeiros perversos só sabem se relacionar dessa maneira em todas as esferas de sua vida. Movidos por um egocentrismo extremado e uma total falta de empatia pelos outros, esses indivíduos ainda sentem uma enorme inveja dos que parecem possuir o que eles não têm ou daqueles que, simplesmente, têm prazer com a própria vida.

O perfil das vítimas também tem sido estudado dentro da vitimologia. Esta disciplina é recente e estuda o processo de vitimização, suas conseqüências para as vítimas e os direitos que elas possam vir a reivindicar.

Durante muito tempo, dizia-se que a vítima da pessoa perversa seria masoquista. Hoje em dia, entretanto, sabe-se que elas são pessoas bem dotadas, cheias de vitalidade e colaborativas. São seduzidas para se enredar numa relação destrutiva, justamente a partir de seu feitio doador. É desse feitio que o agressor tira partido, ao se apresentar como alguém a quem a vida lesou e que necessita muito de proteção e carinho. A maior vulnerabilidade das vítimas é que elas não se vêem como realmente são. Têm dúvidas quanto a sua própria capacidade. Isso faz com que criem para si o desafio de mudar o outro, provando assim sua força e seu valor.

Mas, será mesmo possível que o agressor consiga tudo isso, sem encontrar obstáculos? Certamente, pois existem inúmeras formas básicas e simples de desestabilizar o outro e o perverso as conhece muito bem. Ele sabe por exemplo que, para tal, basta rir das convicções e dos gostos do outro, deixar de lhe dirigir a palavra, ridicularizá-lo publicamente, denegri-lo diante dos demais, colocar em dúvida sua capacidade de avaliação e decisão. E assim por diante.

Assim, um processo de desqualificação de alguém geralmente leva anos, especialmente em relações familiares, onde os cônjuges e os filhos são as vítimas mais comuns. No início, não há palavras explícitas, apenas olhares de desprezo, alusões malévolas e críticas dissimuladas. Um dia vem o momento crucial, quando surgem as palavras. “Você é mesmo uma pessoa muito complicada”, diz, por exemplo, um pai a uma filha. Esta integra esse dado, e vai se anulando realmente. Ou seja, alguém torna nula sua própria identidade porque outro decretou o que ela era.

Durante muito tempo, a vítima, confusa, não compreende o que se passa com ela. Mas quando enfim se dá conta e resolve reagir, rompendo com o seu agressor, desperta a ira do perverso. E é aí que a violência se torna intensa, explícita e implacável. Alguns perversos passam a dedicar sua vida à tentativa de destruir o outro. Essas pessoas até podem parecer se ocupar de outros projetos, mas o único que realmente lhes importa é o de tentar destruir quem ousou lhes abandonar.

Mas como é levada a cabo tarefa tão ambiciosa? Bem, para tal é preciso que sejam criadas o maior número de mentiras acerca da idoneidade da vítima, que passa a ser a culpada de tudo o que aconteceu (de ruim) ou deixou de acontecer (de bom) ao agressor. É bom lembrar que o indivíduo perverso não experimenta o menor sentimento de culpa por agir assim, pois já vimos como ele é incapaz de sentir empatia ou compaixão por outro ser humano.

A pior de todas essas situações é a que envolve as relações entre pais perversos e seus filhos, como vítimas. Aos olhos do agressor, os filhos deixam de ser seus e passam a ser apenas filhos do ex-cônjuge, merecedores, portanto, de todo o seu ódio. Nesses casos, terapias feitas nas vítimas podem ser eficazes para deter o processo de destruição da identidade. Mas é preciso que o terapeuta não venha a agir como a maioria da sociedade. Ou seja, por comodismo ou respaldados numa alegada postura “neutra”, os terapeutas podem até se omitir. Quando deixam de destacar e nomear para as vítimas esse tipo de abuso emocional, dificultam sua libertação do agressor.

Como em todos os demais casos de abuso, sabemos hoje que a vítima precisa de alguém que acredite nela, para ter forças e reagir ao massacre. Muitas vezes, basta que uma só pessoa acredite e apóie a vítima para que ela comece a se reorganizar emocionalmente. Esperemos que, se for um terapeuta o escolhido para desempenhar esse papel, ele seja capaz de abraçá-lo sem entraves, até por sua condição de ser humano, anterior à de terapeuta.

No meio cultural individualista em que vivemos atualmente, esse tipo de ataque está se tornando mais comum. Precisamos todos ter cuidado pois, a pretexto de sermos tolerantes, podemos estar sendo complacentes com uma situação desse tipo próxima a nós, facilitando assim a atuação perversa.

Simone Sotto Mayor é
Médica Psiquiatra e Psicanalista

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O texto é longo, mas fala exatamente o que eu passo.