1 ano de Noruega

Meu amor

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Hoje faz exatamente um ano que desembarquei na Noruega e reencontrei o meu amado Espen, com uma bandeira da Noruega nas mãos acenando para mim no aeroporto todo feliz.

Pensei muito antes de escrever esse post, pois, diferente do que muitos pensam, a vida aqui não é fácil o tempo todo. É boa sim, mas tem dificuldades também. Muitas pessoas chegam até meu blog e se encantam com a nossa história de amor e pensam que tirei a sorte grande, que vivo um conto de fadas. Já que muitos se inspiram nisso, fico um pouco preocupada que pensem que é tudo perfeito. Minha gente, a vida é boa sim, ainda mais se vocês estão ao lado de quem amam… porém a realidade é dura às vezes.

O choque cultural é bem ruim, a nossa adaptação demora, isso depende muito de cada pessoa claro, mas é ilusão pensarem que após um ano estará tudo nos eixos. Mentira! O primeiro ano é bem complicado, é tudo ao mesmo tempo agora e não há tempo para tomar fôlego às vezes. Vão anotando aí, venham com o coração e mente abertos e, também, com uma dose extra de paciência.

Paciência com você mesma principalmente (eu me cobro muito e isso me detona), paciência com os outros que pensam, sentem e agem diferente de você. E mais uma coisa, desista de fazer o jogo do contente. Vocês podem ter encontrado o homem dos seus sonhos, mas ele É HUMANO, tem defeitos e tem outra cultura (isso minha filha, muda tudo). Parem de achar que finalmente vocês irão fazer o papel da Cinderela ou Bela Adormecida ok? É vida real mesmo!

E sejam humildes, não encham a boca para dizer que leram tudo sobre como é viver fora, então você SABE como será, que você vai tirar de letra. Seja auto-confiante, mas não seja pretensioso. A vida tem muito a nos ensinar e essa mudança de país tem um poder enorme de fazer todas essas crenças e certezas cairem por terra. E, honestamente, não é possível ter experiência em algo sem viver isso. Teoria e prática tem suas diferenças.

Ainda tem o inverno, o frio aqui é de doer os ossos… e DÓI mesmo! Para nós que nascemos e vivemos num país tropical, o primeiro inverno é um grande desafio. Tem que aprender a se vestir corretamente para não sentir frio, tem que aprender a sair mesmo quando está nevando, mesmo quando o gelo toma conta das calçadas e você escorrega, mesmo quando o vento gelado corta seu rosto como faca afiada, porque passar praticamente seis meses enfiados dentro de casa é o Ó, é uma merda.

E sim, VOCÊ VAI ENGORDAR!!! Hahaha… triste notícia minhas queridas, mas é verdade. Eu cai dentro de tudo gostoso que encontrei aqui, dos molhos aos bolos, muffins e as malditas batatas e biscoitinhos, ainda fui na onda do meu marido que estocava chocolate em casa. No Brasil eu comprava uma barra de chocolate quando tinha vontade e fazia ela durar, para não ter que comprar de novo ou cair na tentação de comer mais por ter algum chocolate de reserva. Já falei para ele parar de comprar assim ou então para esconder de mim. Acho mais difícil resistir à tentação quando SEI que tenho determinada coisa em casa e não posso comer. É melhor NÃO TER, pois assim vou procurar e não vou achar..hehe.

E as longas noites no inverno… ahh que beleza!! Aqui onde moro não é tão ruim, temos algumas poucas horas com luz do dia entre 9h da manhã e 3h da tarde, mas quem mora mais ao norte.. ai ai. É um período de escuridão total, então além do frio tem essa parte para se adaptar também. Nem meu marido gosta muito desse período com pouca luz, pois ele sai para trabalhar e está escuro, quando volta já está escuro de novo, imagine nós que nunca experimentamos isso? Eu até que levei bem, não cai em depressão por causa da escuridão, as razões eram muito mais emocionais para eu ficar deprê. Vamos ver no próximo inverno.

E no meio disso tudo, tem a saudade de casa, dos amigos, da família, da comida, do idioma e até dos programas ruins que você assistia no Brasil e não assume. (Eu morro de saudades do Faustão!) Tem o medo de não conseguir emprego, o medo de não aprender o idioma misturados a uma certeza meio idiota de que não conseguirei… estou falando de mim agora ok? Resumo o primeiro ano na Noruega a muito esforço, muitas descobertas, muito aprendizado.

Só mais uma coisa, uma amiga me relembrou um post que escrevi antes de mudar para cá, sim eu era mais auto-confiante, tinha mais esperança e menos medo. Mas a MINHA vida teve/tem alguns poréns que talvez a de vocês não tenham. A minha experiência pessoal é totalmente diferente da de vocês, os meus problemas idem. Então não foi só a mudança para a Noruega que me afetou e modificou (positiva e negativamente). Mas sim, tudo que está envolvido nisso. Muitos de vocês sabem que tenho problemas com minha mãe que ficou no Brasil e essa é uma parte BEM difícil de lidar estando longe. Ela também não é fácil de lidar e é meu filho quem está lá com ela sem saber o que fazer também. Eu fico mal aqui por ver que as coisas não estão indo bem.

Agradeço a tentativa de me fazer lembrar que as coisas podem ser diferentes, mais positivas, que devo ter mais fé em mim mesma, mas não me julguem sem antes terem calçado meus sapatos e andado pela minha estrada ok? Eu ainda estou em período de adaptação, ainda estou descobrindo o que é bom, ruim, melhor ou pior. Não quero ficar fingindo felicidade o tempo todo. Isso não é real, não sou eu.

E para não terminar em clima de enterro…. eu preciso dizer mais uma vez que sou apaixonada pelo meu marido e pela natureza da Noruega, por esse céu tão azul e pelas muitas cores que vemos por aqui, mesmo no inverno quando a natureza adormece, o céu nos brinda com luzes e cores indiscritíveis. Pena que ainda não pude ver a Aurora Boreal, mas resolvo isso indo visitar as amigas que moram lá para os lados do norte.🙂

Um beijo e que venha mais um ano….

35 comentários sobre “1 ano de Noruega

  1. Oi, acabei de descobrir seu blog, e tambem acabei de completar um ano de Noruega ( em outubro). Sei muito bem do que voce esta falando e ainda bem que tem pessoas realistas por aqui… De gente querendo fingir que tem a vida perfeita ja me basta os noruegueses! rsrs
    Entao, eu passei por muitos choques culturais tambem, e periodos de altos e baixos… mas queria compartilhar com vc, se tiver interesse em psicologia, uma pesquisa que eu fiz sobre choque cultural. Me ajudou muito a entender melhor isso, esta la no meu blog, espero que goste: http://andandoporaii.blogspot.com/search/label/adapta%C3%A7%C3%A3o%20no%20estrangeiro

  2. Dani, adorei! Muito bem colocado. Eu leio sobre muitas meninas, e proprios amigos e familia que acham que tudo é como num conto de fadas. esta certo. Você é gente de carne e osso e ninguém (ate onde eu saiba) se adapta a uma vida tão diferente acompanhada de muitos problemas (eu que o diga, ainda estou dando murro em ponta de faca, e estou a mais tempo que você nessa parada). Me resta sim, desejar felicidades a vocês pois como disse ao vivo e a cores (aquele encontro foi o máximo, precisamos repetir), que o importante e ver você feliz! Bjs. Carol

  3. Dani, estou estou atrasada, eu acho, mas já li este texto mil vezes e não me canso.
    Parabéns pelo seu primeiro um ano. Virão muitos outros, certamente. E que você continue com a mesma força e atitude perante os desafios. E que saboreie ainda muitas vitórias.
    Acho que meu caso foi pras cucunhas (como diz minha vó), mas não importa mesmo, ler coisas assim é sempre tão bom, que dá a certeza que não importa se é de perto ou de longe, o amor faz coisas maravilhosas em nossa vida.
    E olha só, eu conheci você. Obrigada por nem me conhecer e ter sido tão doce todas as vezes em que nos falamos.😉

  4. Daniela, ja havia entrado aqui pra ler um pouco seu blog. Primeiro parabéns por ter vencido essa etapa de sua vida e também por ser tão sincera em seu relato, ainda vou viver na Noruega e procuro ler bastante sobre esse lado ai. E sinceramente vc escreve de coração, sempre estou na net, leio o blog d Beth tb, mas como vc falou só vivendo pra poder falar algo sim, por enquanto procuro conhecer um pouco mais do país por aqui.

  5. Sempre qdo me pedem dica para adaptaçao, eu dico que cada um faz as suas experiências. As primeiras sensações (o analfabetismo, o choque cultural, ter que aprender tudo de novo) podem ser as mesmas, mas é no decorrer do dia que as coisas diferentes acontecem. Eu espero que vc consiga sempre enxergar coisas positivas no seu segundo ano por aí e o amor continue lindo, porque histórias de amor verdadeiras não são como nos contos de fadas.😉

    Bjs!

    • Engraçado Eve é que ninguém me pede dica de adaptação… só dizem que querem viver uma história assim e assado. Em todo caso, uma hora a realidade se apresenta e aí não tem como correr. Hehe.

      Eu tb espero enxergar e usufruir as coisas positivas, mais do que as negativas. Mas é tudo parte do processo🙂 Bjos lindona

  6. Daniela, quando eu vim viver, a primeira vez por essas bandas, eu escrevia um blog nos termos do seu. Era algo bem franco.

    E devo admitir que vc está certa. As experiências não são iguais para todo mundo. O que é bom para vc , pode não ser para mim.
    }Eu d eduzo oo que sejam diferenças culturais que vc mencionou no texto e que, muitas vezes, eu desejei falar sobre, mas evitei.
    Hoje, já não escrevo da mesma forma, a vida tomou rumos adversos, eu voltei ao Brasil, depois, voltei para a Suécia e, na segunda vez é que meus filhos, realmente, normalizaram a vida.
    Hoje, fazendo um Mestrado, eu vivo nesse lado da Europa por que já não teria tanta razão de ser, voltar, uma vez que meus filhos já vivem a rotina deles. Meu casamento sofreu baques terríveis, diante do tempo que já não é tão novo assim, mas, Daniela, foi vivendo desafios inimagináveis que eu aprendi a dar valor a ouvir um homem me dizer, o tempo todo que O TEMPO PASSOU E ELE CONTINUA SENTINDO O MESMO TIPO DE AMOR.

    OLha, tens fé que tudo vai se resolver. A vida é de quem acredita. Claro que vc viverá altos e baixos, mas, vai sacudir a parte ruim e investir na boa. A vida vale a pena, e vc vai encontrar o caminho que te levará aos seus objetivos. Isso é mais fácil quando se tem um homem compreensivo, generoso e apaixonado,
    Dias felizes e cheios de paz.

    • É verdade Grace… graças à Deus meu marido me ama e, mesmo em meio as nossas tempestades, nosso amor continua firme e forte. Vou visitar seu blog, quero conhecer mais sobre sua história. Beijo e obrigada por suas palavras carinhosas.

  7. Ae Dani, Parabens pelo seu primeiro ano ai. Definitivamente esse eh o ano mais dificil, pq tudo e novo. A partir de agora fica menos dificil ( veja bem, nao disse que vai ser facil).
    Bjocas e continue firme e forte pq vale a pena.

    • Assim espero Pedro… menos difícil ainda é melhor que “tudo igual”, porque se for para ser sempre assim.. ai que desânimo!

      Falta o mais importante nesse momento, emprego. Vamos ver o que consigo.. Bjos

      • Nao desanima nao. as coisas conquistadas com suor tem um gostinho bem diferente, e ( nao eh uma questao de se, mas de quando) voce arrumar o emprego, as coisas vao entrar nos eixos.
        soyes positif.

  8. Ola Amiga
    Parabéns, por ter encarado a primeira etapa do primeiro ano!
    Eu nunca achei que fosse fácil, mas sinceramente, nunca imaginei que seria difícil, no entanto me admirou saber que as vira voltas surgem em tão pouco tempo…. Eu que o diga…Boa sorte amiga! Que os próximos anos sejam mais amenos e que as experiências lhe tragam aprendizados…
    Obs: Passe la no blog http://betestrom.blogspot.com/….bjus

    • Eu sempre te disse que não era fácil o tempo todo… mas a vida tem suas surpresas e realmente nos dá um sacode né? Como todos dizem para mim, aguente firme e tenha fé.. é difícil, mas vc consegue.🙂 Acho que nada na nossa vida acontece sem razão e Deus sempre nos dá força para aguentar. Bjos

  9. O primeiro ano concerteza deve ter sido dificil. E só de imaginar que irei trilhar esse caminho de descobertas, incertezas e de saudades.. me da frio na barriga! hehhe Parabens pelo post.

  10. Voltei pra comentar, porque tava meio atarefada… Parabéns pelo primeiro ano de conquistas. É só o começo. Manter as coisas assim, claras e reais, faz com que os tombos eventualmente doam menos. Aqueles que vem esperando viver num conto da fadas se machucam bem mais quando a realidade bate à porta… Parabéns pela sua lucidez ao encarar as coisas.

    beijão

  11. É complicado demais mudar de país, muita gente acha mesmo que é tudo um conto de fadas, iludidos pela ideia de que o que está longe é melhor. Força aí, você não é a única que passa/passou por isso, acredite, eu me choco até hoje com muita coisa das diferenças culturais e nem tenho isso dentro de casa porque o marido é brasileiro. Mas tenho amigas que me contam que aí o buraco ainda é mais embaixo. Paciência! Bj

    • Verdade Marcela… mas é justamente aí que está o encanto, a beleza, a excitação da vida. Na diferença, no novo, no desconhecido, no que amedontra mas atiça a curiosidade, mas que é parte do aprendizado, do viver, do descobrir e ser feliz. E assim vamos nós..🙂 Beijos

  12. Eu sou a amiga que vc cita no post…entre muitos defeitos que tenho acho que o pior deles talvez seja nao pensar duas vezes, dificilmente eu faco isso, penso uma vez e pum!! Lá estou indo eu… e as vezes nem penso sou movida pelo desejo de ajuda o que as vezes nao ajuda muito também…..conhecer vc além de ja ser sua admiradora e amiga além de um blog, me deu ´´talvez até enganosa´´impressão de que ser amiga também é isso, dizer a quem amamos o quanto ele é cheio de amor, medo, alegria, raiva,sensibilidade, e realismo tudo junto. EU TENTEI…fazer apenas isso!! Tentei devolver a você o mesmo amor que você sempre me deu e continua dando,talvez até tentar trazer a evidencia qualidades que você tem e que eu admiro tanto,VOCÊ Dani, é a blogueira mais humana que eu leio…é possível sentir cada sabor amargo ou doce das coisas que vc vivência e escreve,por isso eu gosto tanto de você viu???
    Amigos também erram com eles mesmo e as vezes connosco, por mais que alguém queira sentir o que nós sentimos isso nunca é por total possível, eu sei….digo isso por mim mesma!
    Eu desejo que venha muitos outros anos, cheios de novas experiências. bjs

    • Vc não errou Wilqui… eu entendi exatamente o que vc tentou me dizer, para eu não desistir, não desacreditar de mim mesma… mas VC bem sabe que minha caminhada não tem sido fácil. Agradeço demais por ter uma amiga como você, carinhosa, amorosa e sincera. Não te troco por nada, eu só não quis fazer um post hiper feliz, hiper perfeito. Eu sou feliz, mas tenho minhas doses de realidade tb.. E eu te amo minha amiga, Deus me separou da minha irmã gêmea tão amada, mas me deu vc e Elisabete Strøm para compensar.🙂

  13. Querida, faz tempo que sou fã de seus textos, e a qualidade deste não me surpreendeu, exceto pela lucidez com que encara o choque cultural de uma garota de Ipanema tentando sobreviver entre os vikings. Ainda bem que você tem esse combustível universal chamado Amor, que nos faz resistir a tudo, até à falta de sol. Abraço apertado, amiga. Mais uma vez, me dá orgulho ter sua amizade.

  14. Dani,por mais estranho que seja, fico feliz por ler o que escreveu. Cada experiência é única. É lindo ver q vc resolveu usá-la para seu crescimento e não para reclamar simplesmente. Parabéns pela coragem! Apesar de ser a Dona pedrinha, vc mostrou que tem um coração mole..;o) beijos

    • Meu coração é muito mole Geisa.. ainda bem que escrevi o post HOJE, pois uns dias atrás eu estava chaaaata e mto melancólica, ia sair algo triste de ler, que não condiz com a minha realidade. Saudades de você e das nossas reuniões no MAP.

  15. Eu adorei o texto. Tem mta gente que eu conheço que pensa que se mudar, seja de cidade ou país, resolve tudo. Que os problemas se vão, que os conflitos se vão… eu costumo dizer que a gente sempre vai junto, que não temos como nos deixar e nem deixar a nossa bagagem. Como vc sabe, várias coisas temos que lidar mesmo de longe. Um ano passou mto rápido e eu espero te ver cada vez mais feliz aí, a seu tempo! Estou sempre na torcida!!!

    Bjossss

    • Obrigada Anne.. é bem isso, eu tento falar com as meninas que me procuram depois que lêem o blog que a coisa é um bocadinho diferente na realidade. Os problemas vem também e ainda aparecem mais uns novos problemas por aqui. Mas ainda vale à pena… como disse o Gérson, temos o mais poderoso combustível: o Amor.

  16. Eu li seu post agora, nem deixei comentario porque afinal eh tão pessoal que comentar eh tentar se meter ou chover no molhado. Mas fiquei curiosa pra saber quais foram os choques culturais que você vivenciou, pode ser que renda um novo post. Beijo

  17. Eita como passa rápido! Parece ontem que você deu a noticia de que estava chegando. Menina, é muito desafio e a adaptação leva tempo mesmo. A gente sempre fica um tanto insegura e deprê durante esse processo, mas é assim mesmo, faz parte. Parabéns! Beijo

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