Eu detesto despedidas, meu filho foi me levar ao aeroporto, minha mãe preferiu ficar em casa e nos despedimos lá mesmo. Deu um baita aperto no peito ter que deixá-la. Espero que as coisas fiquem bem com a nova moça que está lá ajudando a cuidar da casa e dela. Difícil segurar as lágrimas nessas horas, foi importante ter meu filho comigo nessa hora. A família da Lu toda lá, todo mundo com os olhos cheios de lágrimas, ela se debulhando de tanto chorar e eu me segurando para não desabar também.
Como viemos juntas, pelo menos nisso a viagem foi bem mais tranquila, passou até mais rápido do que a anterior, consegui até dormir! Rezamos para não ter ninguém na cadeira ao lado da nossa e fomos quase atendidas. Digo quase porque tinha uma moça e o namorado sentado numa outra cadeira próxima. Conseguiram assentos juntos e quando íamos comemorar, vem outra pessoa e senta do nosso lado.
No começo achamos que ia ser ruim, até porque o comissário estava enchendo a muié de mimos, cobertor mais felpudo, fones de ouvido da primeira classe, água, suco e o escabmau e nós duas pensando que porra era aquela, ôo vamos querer também! Depois que puxamos papo, soubemos que ela trabalhava na KLM e o rapaz em questão era o marido dela! Ahhhhhh, aí entendemos e foi legal ver que ela era uma pessoa muito simpática
De toda forma, ela praticamente ficou o vôo todo longe de nós, sumida pelo avião, então tivemos espaço para nos esparramarmos e levantarmos a hora que quiséssemos sem incomodar.
Saímos do Brasil com aquele calor matador de 42 graus, dias de muito sol e chegamos aqui na Noruega toda branquinha e gelada (muito gelada), para encarar -13 graus. Estranhei tudo, o frio, a escuridão, o vazio nas ruas.. estranhei até a casa. No fundo eu sei a razão disso, saí daqui para resolver uma coisa, mas deixei algumas pendentes que foram se encaminhando. Então ao longo dos seis meses que fiquei fora, me desliguei quase totalmente da Noruega, exceto pelo contato diário com meu marido.
De resto, esqueci mesmo o idioma, alguns nomes de coisas, produtos, lugares.. esqueci as coisas e as pessoas desagradáveis. Afinal estava em casa, ia lá ficar pensando nas merdas que tem aqui? Não falo do país não, e sim das experiências ruins. Só lamento não ter podido fazer a bendita Norsk prøve 2, mais uma vez isso foi adiado.
Porém, mal cheguei, já estou na atividade, voltei ao curso de norueguês ontem e hoje retomei minhas faxinas. Sim, eu faço faxina na Noruega até poder trabalhar registrada. Claro que, no Brasil, continuo com as legalizações de documentos para quem vai casar no exterior. Novembro foi um mês muito bom nesse sentido.
Agora é cuidar do nariz ressecado e rachado por dentro, dos lábios também rachados, do monte de roupas que preciso vestir para sair de casa… e começar a arrumar a casa para o Natal. Não estou no clima, mas com criança em casa a gente não consegue fugir muito disso. Amanhã começamos a embrulhar alguns presentes que trouxe do Brasil. Claro que o do Espen será embrulhado num esquema totalmente secreto entre minha enteada e eu.. hehe! Ontem me arrastaram para 2 shoppings para eu dar as “dicas de presentes” para eles dois.
Desfiz uma mala, a outra ainda me olha pedindo pelo amor de Deus para ser desfeita.. mas nela estão justamente os presentes! Por hoje fico na arrumação do armário, estou tirando tudo o que não uso e ficam lá de enfeite. Vou terminar a lista de presentes também, marido fica perguntando o que eu quero.. então vou enumerar meus 155 itens para o Natal, o restante peço em janeiro no meu aniversário
Quem pergunta, quer saber né??


