Arquivo | maio 2012

I'm lost!

Quem tem cachorro aqui sabe que não pode andar com eles sem estarem presos às coleiras. Agora na  Primavera e Verão todo mundo sai de casa com seus filhos, cachorros e seria uma loucura os bichos andando soltos correndo atrás dos passarinhos, das crianças.. imaginem?

Fui visitar uma amiga essa semana e na volta para casa dei de cara com um cachorro bonitinho, peludinho cor de creme andando ao lado de um rapaz que pedalava sua bike. Eu pensei que ele era o dono, bastou olhar pro cachorro e ele veio correndo pra mim, fazendo festa, pulando, me cheirando. Brinquei com o danado e pensei “agora ele vai atrás do dono” olhei para trás e cadê o cara? Estava distante, seguindo o rumo dele.

Fiquei sem entender nada, mas continuei andando pro ponto de ônibus. O cachorro atrás de mim, me rodeando, pulando nas minhas pernas. Na direção oposta vinham duas moças correndo e quando o doido do cachorro as viu, saiu em disparada para pular em cima delas e fazer festa também. A primeira moça me olhou de cara séria e perguntou em norueguês “Esse cachorro é seu?” já pronta para me dar uma bronca por ele estar sem a guia presa na coleira, andando solto. Respondi que não e parei no ponto de ônibus e ele pulando lá entre elas..

Vindos da mesma direção que eu, apareceram 5 adolescentes pedalando suas bicicletas, adivinhem..? Lá foi o cachorro pular em cima deles também, todo serelepe. Eram 2 meninas e 3 meninos, eles pararam porque o cachorro se metia entre eles e ia acabar se machucando. Um dos meninos olhou na coleira dele e viu um telefone, ligou e avisou que estavam com o cachorro perto da parada de ônibus e em seguida o dono apareceu com a guia na mão para buscá-lo. O danadinho tinha fugido de casa!!

Achei bacana os jovens terem parado para achar o dono do bichinho, telefonado e esperado ele vir buscar. O rapaz agradeceu e voltou para casa com o fujão e os jovens continuaram seu caminho nas bicicletas. Eu acho muito bom esse comportamento dos noruegueses, essa responsabilidade com suas ações, serem solidários, responsáveis até com o que não tem a ver com eles.

O fujão parecia com esse fofucho da foto

Abuso Emocional

Esse texto foi postado em 2010 aqui no blog, mas quero que vocês leiam mais uma vez, pois o abuso emocional é algo muito mais comum do que se pensa.

UMA FORMA DE ABUSO EMOCIONAL
Simone Sotto Mayor

Nos dias de hoje, em que somos acossados pela violência explícita vinda de várias frentes, também somos muitas vezes testemunhas ou mesmo vítimas de um tipo de violência mais difícil de se visualizar e nem por isso menos virulenta. Essa violência advém de relacionamentos com pessoas perversas, que elegem uma vítima e passam a se dedicar à tentativa de destruí-la. Já que não é possível matá-la fisicamente, tentam assassiná-la moral, emocional e socialmente. Este tipo de ação vem sendo estudado por especialistas nos últimos anos e recebeu o nome de assédio moral uma forma de abuso emocional.

Mas, afinal, do que estamos falando? O que é um indivíduo perverso e mais, o que estamos chamando de uma relação perversa? Os estudiosos do assunto definiram indivíduos perversos como sendo aqueles que, sob a influência de seu grandioso eu, tornam-se capazes de tentar criar sempre uma relação peculiar com uma segunda pessoa. Neste tipo de relação característica, o sujeito perverso ataca particularmente a integridade psíquica do outro, visando desarmá-lo e deixá-lo à sua mercê. Assim, são atacados igualmente o amor-próprio do outro, sua confiança em si, sua auto-estima e a crença em si próprio.

Todas as pessoas estão sujeitas a terem momentos de perversidade moral do tipo descrito em suas relações com os outros. A diferença é que os verdadeiros perversos só sabem se relacionar dessa maneira em todas as esferas de sua vida. Movidos por um egocentrismo extremado e uma total falta de empatia pelos outros, esses indivíduos ainda sentem uma enorme inveja dos que parecem possuir o que eles não têm ou daqueles que, simplesmente, têm prazer com a própria vida.

O perfil das vítimas também tem sido estudado dentro da vitimologia. Esta disciplina é recente e estuda o processo de vitimização, suas conseqüências para as vítimas e os direitos que elas possam vir a reivindicar.

Durante muito tempo, dizia-se que a vítima da pessoa perversa seria masoquista. Hoje em dia, entretanto, sabe-se que elas são pessoas bem dotadas, cheias de vitalidade e colaborativas. São seduzidas para se enredar numa relação destrutiva, justamente a partir de seu feitio doador. É desse feitio que o agressor tira partido, ao se apresentar como alguém a quem a vida lesou e que necessita muito de proteção e carinho. A maior vulnerabilidade das vítimas é que elas não se vêem como realmente são. Têm dúvidas quanto a sua própria capacidade. Isso faz com que criem para si o desafio de mudar o outro, provando assim sua força e seu valor.

Mas, será mesmo possível que o agressor consiga tudo isso, sem encontrar obstáculos? Certamente, pois existem inúmeras formas básicas e simples de desestabilizar o outro e o perverso as conhece muito bem. Ele sabe por exemplo que, para tal, basta rir das convicções e dos gostos do outro, deixar de lhe dirigir a palavra, ridicularizá-lo publicamente, denegri-lo diante dos demais, colocar em dúvida sua capacidade de avaliação e decisão. E assim por diante.

Assim, um processo de desqualificação de alguém geralmente leva anos, especialmente em relações familiares, onde os cônjuges e os filhos são as vítimas mais comuns. No início, não há palavras explícitas, apenas olhares de desprezo, alusões malévolas e críticas dissimuladas. Um dia vem o momento crucial, quando surgem as palavras. “Você é mesmo uma pessoa muito complicada”, diz, por exemplo, um pai a uma filha. Esta integra esse dado, e vai se anulando realmente. Ou seja, alguém torna nula sua própria identidade porque outro decretou o que ela era.

Durante muito tempo, a vítima, confusa, não compreende o que se passa com ela. Mas quando enfim se dá conta e resolve reagir, rompendo com o seu agressor, desperta a ira do perverso. E é aí que a violência se torna intensa, explícita e implacável. Alguns perversos passam a dedicar sua vida à tentativa de destruir o outro. Essas pessoas até podem parecer se ocupar de outros projetos, mas o único que realmente lhes importa é o de tentar destruir quem ousou lhes abandonar.

Mas como é levada a cabo tarefa tão ambiciosa? Bem, para tal é preciso que sejam criadas o maior número de mentiras acerca da idoneidade da vítima, que passa a ser a culpada de tudo o que aconteceu (de ruim) ou deixou de acontecer (de bom) ao agressor. É bom lembrar que o indivíduo perverso não experimenta o menor sentimento de culpa por agir assim, pois já vimos como ele é incapaz de sentir empatia ou compaixão por outro ser humano.

A pior de todas essas situações é a que envolve as relações entre pais perversos e seus filhos, como vítimas. Aos olhos do agressor, os filhos deixam de ser seus e passam a ser apenas filhos do ex-cônjuge, merecedores, portanto, de todo o seu ódio. Nesses casos, terapias feitas nas vítimas podem ser eficazes para deter o processo de destruição da identidade. Mas é preciso que o terapeuta não venha a agir como a maioria da sociedade. Ou seja, por comodismo ou respaldados numa alegada postura “neutra”, os terapeutas podem até se omitir. Quando deixam de destacar e nomear para as vítimas esse tipo de abuso emocional, dificultam sua libertação do agressor.

Como em todos os demais casos de abuso, sabemos hoje que a vítima precisa de alguém que acredite nela, para ter forças e reagir ao massacre. Muitas vezes, basta que uma só pessoa acredite e apóie a vítima para que ela comece a se reorganizar emocionalmente. Esperemos que, se for um terapeuta o escolhido para desempenhar esse papel, ele seja capaz de abraçá-lo sem entraves, até por sua condição de ser humano, anterior à de terapeuta.

No meio cultural individualista em que vivemos atualmente, esse tipo de ataque está se tornando mais comum. Precisamos todos ter cuidado pois, a pretexto de sermos tolerantes, podemos estar sendo complacentes com uma situação desse tipo próxima a nós, facilitando assim a atuação perversa.

Simone Sotto Mayor é
Médica Psiquiatra e Psicanalista

————————

O texto é longo, mas fala exatamente o que eu passo.

Russ party – Free hugs

Todos os anos, antes dos exames finais em maio, os adolescentes noruegueses compram e decoram velhos ônibus e vans e rodam o país comemorando o fim do “high school” aqui na Noruega. Celebram por semanas com brincadeiras e diversão, eles pertencem ao “RUSS” e se vestem com macacões vermelhos, azuis, verdes, pretos ou brancos. Na minha região vemos muitos vestidos com a cor vermelha. Cada cor representa um tipo de estudo, mas em alguns lugares a cor é determinada pela escola. Em Stavanger, por exemplo, se o diretor foi um Russ Azul, os alunos então usarão azul também.

Vermelho: identifica os estudos gerais (matemática, física, biologia, história, literatura, inglês, etc), mídia e comunicação, arte, música, dança, teatro e atletismo usam vermelho, a cor mais comum. Azul: para os que estudaram economia e administração.

Preto: Cursos de formação profissional (ex: carpintaria, culinária e eletrônica).  Verde: Cursos agrícolas. Também podem usar o laranja como a cor escolhida.

Branco: em algumas regiões os alunos de atletismo ou estudantes de saúde, escolhem o branco. Muitas vezes podem formar grupos menores para celebrar sem ter que cumprir os “knots” e sem a pressão para beberem.

Além dos macacões, bolsas e mochilas exclusivas, feitas com essas cores e a identificação de cada grupo eles também usam chapéus, boinas e bonés onde vemos pendurados por cordas as prendas alcançadas após terem cumprido as metas estipuladas pelo líder do grupo, são os chamados “knots”. Que variam das mais simples e fáceis a umas bem bizarras.

Por exemplo: correr nu no centro da cidade à luz do dia, abraçar o maior número possível de pessoas na rua, morder a perna de um policial e latir como um cachorro, comer um big mac em duas mordidas, passar uma noite em cima de uma árvore, andar de quatro na escola durante o dia, beber uma garrafa de vinho em 20 minutos, transar com o presidente do grupo ou com pelo menos 17 parceiros e mais umas tantas decididas pelo grupo e limitadas pela imaginação deles.

As comemorações começam já no dia 01 de maio e se estendem até o dia 17 de maio, dia Nacional na Noruega quando eles desfilam pelas ruas com seus carros de som, ônibus, vans numa grande farra.

Estava no centro da cidade essa semana, esperando o horário do meu ônibus, aproveitei e fui dar uma volta no shopping que fica colado na estação de bus. Vejo vários deles nos ônibus, nas ruas.. é uma festança sem fim, eles estão sempre animados, brincando.

Então, quando estava indo em direção a estação de bus, passei por um grupo que estava no shopping. Um deles pulou na minha frente e educamente me perguntou em norueguês: “Oi, com licença, você pode me dar um abraço de felicitações?”, achei engraçado, mas a gentileza dele me tocou.. claro que disse sim e dei o abraço no rapaz. E lá se foram eles brincando, e abraçando mais pessoas. Ganhei um free hug! :)

Sim, se eu não abrir a boca, ninguém percebe que sou brasileira e não uma norueguesa… :) Pedem informação, falam comigo na rua normalmente, comentam sobre o tempo, o atraso do bus, acho engraçado isso. Hehe!

Norskprøve 2 e Internasjonal Dag!!

Faltando um mês para a prova oficial no curso de norueguês, o frio na barriga começa a surgir… Tenho estudado algumas coisas que estamos dando atualmente com o livro novo (que pega firme na conversação, leitura de texto e debater sobre os assuntos dados), mas a partir de hoje vou revisar a parte de gramática e verbos, para não fazer feio.

Minha professora é maravilhosa e isso é um estímulo e tanto para assisti as aulas. Confesso que não gosto quando a substituem, mas entendo que ela também adoece, também tem problemas e precisa se ausentar de vez em quando. Nesse caso eu prefiro ter aula com outra professora norueguesa, tivemos 2 aulas com uma moça russa e affff… eu achei chatíssima a aula por dois motivos: a rapidez e sotaque como ela falava e o método de aula diferente.

Claro que são pessoas diferentes, mas eu noto que os professores noruegueses tendem a seguir o mesmo método, imagino que quem é vikar (substituto), é preparada usando o mesmo método da escola… não?? Definitivamente, não são todas as pessoas que tem o dom de comunicar, ensinar, ineragir bem com o grupo. Mas de qualquer forma, eu gosto muito das aulas. Em agosto, se eu não estiver trabalhando ainda, quero voltar a ter aulas durante o dia. Duas vezes na semana para mim não estão sendo suficientes. Eu quero ter mais tempo para estudar e tirar dúvidas com os professores. Quem estudou durante o dia e troca para a noite, sabe o que eu falo.

Ainda sobre o curso de norueguês, dia 19 aconteceu o Internasjonal Dag e foi ótimo ir lá visitar e comer tanta coisa gostosa! Dessa vez fui como convidada, já que só os grupos que estudam durante o dia participam, mostrando um pouco da cultura de cada país.

Sim, comi feijoada, brigadeiro, bolo de milho, manjar, empadinhas de frango, tudo do Brasil. Mas visitei outras salas, provei de uns quitutes muito gostosos da Colombia, Tailândia, Filipinas, Somália, Iraque, Tunísia, Vietnam e Eritréia. Não deu para provar de todos os países em 2hs e meia, contando com a apresentação no início e a quantidade de visitantes, a comida em algumas salas acabou num instante. Pena…

Thai Dance

Empadas de frango e bolo de milho

Vietnam food

Fora isso, terminamos de pintar a varanda!! Ficou bem bonita, toda branquinha. Depois vou fazer um post com fotos. Estamos plantando novas flores, temperos, tomates e agora só falta pintarmos o chão da varanda para ficar tudo ok e colocarmos as plantas nos seus lugares. Volto quando tiver tempo ou algo importante para postar.

Beijundas.