Oi pessoas, hoje fiz minha primeira consulta com um ginecologista aqui na Noruega. Primeiro fui no meu fastlege (o médico familiar, médico regular) porque era hora de mudar a pílula anticoncepcional que estou usando, pois fiz 40 anos. Daí comentei o que estava me incomodando e mencionei que marido e eu pensamos em ter um bebê. Calma gente.. não é para agora e eu não estou grávida ainda. Ele me encaminhou para o ginecologista, ambos trabalham no mesmo prédio, salas lado a lado.
Recebi uma carta uns dias depois avisando o dia da consulta, horário e o nome do médico. Confesso que meu fastlege não é a simpatia em pessoa, ele é seco, direto. Pergunta o que você tem, (ninguém procura médico à toa né?), indica a medicação se necessário e pronto, pague a consulta e tchau..hehe. Ele é o mesmo médico do meu marido, por isso minha escolha.
Estava nervosa com a consulta de hoje, pois eu faria o preventivo e ia falar sobre o planejamento da gravidez, meu histórico familiar de minha mãe diabética, da morte da minha irmã gêmea por causa de um câncer que começou no ovário direito e o câncer de mama na minha tia paterna e, claro, por causa do exame em si. Eu odeio fazer preventivo, tenho pavor mesmo!
Os consultórios aqui são muito bacanas, organizados, modernos, limpos, eles tem arquivado no sistema minhas últimas consultas médicas (por isso ele sabia já algumas coisas sobre mim), não tem aquela papelada, fichas intermináveis onde os médicos anotam tudo. Nem receita eu peguei porque o sistema deles é integrado à farmácia e basta dar a data do meu aniversário e eles verão o que o médico prescreveu. Bacana né?
Cheguei e a recepcionista, uma senhorinha muito simpática me atendeu, perguntou meu aniversário, peso, altura, data da próxima menstruação, confirmou endereço e telefone e pediu para eu esperar. Sim, tudo em NORSK! E eu respondi o que pude em norueguês
Ai que orgulho de mim mesma!
Esperei um pouquinho e o médico me chamou.
Que surpresa boa descobrir que ele é o oposto do fastlege, me recebeu com um sorriso, apertou minha mão e perguntou se eu era de Portugal (ele deve ter visto em algum lugar que eu falava português), abriu um sorriso quando eu disse que era do Brasil, foi super simpático, respondeu minhas perguntas, esclareceu umas coisas, me falou de um congresso em que ele foi onde foi falado que 80% dos partos no Brasil são cesáreas e que isso o surpreendia.
Aqui na Noruega eles tentam o parto normal até o fim, só fazem uma intervenção cirúrgica se for algo muito sério ou se a paciente estiver em risco. Veremos como se passará isso comigo… Dúvidas esclarecidas, ele me disse para ir para a sala ao lado para me preparar para o exame. Fui e já comecei a me despir, enquanto procurava aqueles jalecos que normalmente usamos no Brasil, não achei. Antes mesmo de eu tirar tudo (duas calças, duas meias e a calcinha) o médico já estava na sala comigo.
Aí lá fui eu me sentar naquela cadeira de exames, ultra moderna, pensando cadê o resto da cadeira?? Parece que ela não tem o assento, mas tem.. só que ele é aberto em forma de U. Muito mais confortável fazer o exame assim. Pela primeira vez foi pouco dolorido e foi rápido. Ele olhou tudo, colheu o material que precisava e por fim fez uma ultra transvaginal para ver os meus ovários. Sim, não precisei de guia de exames para ir a outro lugar para fazer a ultra. Achei ótimo isso.

Mas levei um susto, pois quando ele ligou o monitor, já com a câmera posicionada para olhar como está meu útero e ovários, apareceu a imagem de um bebê de 7 semanas de gestação. Eu olhei a imagem e disse “What?? That is a baby… Am I, Am I..?” Ele rindo disse, calma.. essa é a última imagem da paciente anterior que está grávida. Eu ri também e disse “Ufa!”
Muito bem, em 3 meses volto para ele ver como estou e falarmos mais sobre se Espen e eu vamos mesmo querer tentar uma gravidez. Segundo ele, o ideal é não esperar muito mais, pois o tempo está passando, os óvulos já não são os mesmos e todo aquele papo sobre uma gravidez depois dos 40. Veremos como as coisas se encaminham, como vou reagir a nova pílula e quem sabe no verão comecemos a encomendar um noruga-brazuca?
Ahh para as curiosas, paguei 400 krones (coroas norueguesas) de consulta e mais 313 dos remédios.