Arquivo | setembro 2010

Quem me dera….

… poder respirar aliviada.

… poder dividir essa tristeza que está acabando comigo.

… poder continuar tendo fé nas pessoas.

… poder acreditar que o amor tudo cura, tudo perdoa, tudo conserta, tudo esclarece.

… mas o amor é um sentimento e, quase sempre da maneira errada, tentamos a todo custo controlar o que sentimos. A maldita razão sempre achando que sabe tudo, que sabe o que é melhor. E aí julgamos.

… julgamos segundo o sentimento naquele momento.

… julgamos segundo os nossos medos.

… julgamos segundo nossas exigências com os outros.

… julgamos porque não conseguimos nos colocar no lugar do outro. E erramos. E magoamos. E assim perdemos tanta coisa boa. E nos arrependemos, mas aí pode ser tarde. Pode não dar tempo de resolver.

Como diz Renato Russo: “… e  é só você que tem a cura para o meu vício de insistir nessa saudade que eu sinto de tudo que ainda não vi…”

httpv://www.youtube.com/watch?v=Z8imBs-nGcE

O Cachorro

“Certo veterinário foi chamado para examinar um cachorro de raça. Os proprietários do animal eram todos muito ligados ao cachorro e esperavam por um milagre. Ele examinou o cachorro e descobriu que ele estava morrendo de câncer. Ele disse à família que não haveria milagre, e que o melhor era fazê-lo morrer suavemente, para que não continuasse sofrendo, e se ofereceu a voltar no dia seguinte e aplicar-lhe uma injeção.

No dia seguinte, enquanto faziam os preparativos, os pais disseram que estavam pensando se seria bom deixar que o filho mais novo, de seis anos de idade, observasse o procedimento. Eles achavam que poderia aprender algo com esta experiência. A família rodeou o cachorro. O menino, parecia tão calmo, acariciando o velho cão pela última vez, que o veterinário pensou se ele entendia o que estava se passando. Dentro de poucos minutos, o cachorro morreu, pacificamente. O garotinho parecia aceitar a transição do cachorro, sem dificuldade ou confusão.

Depois se sentaram juntos, um pouco após a morte do cachorro, pensando alto sobre o triste fato da vida dos animais ser mais curta que a dos seres humanos. O menino, que tinha estado escutando silenciosamente, disse :”Eu sei por quê.” Admirados, todos se voltaram para ele. O que saiu de sua boca, assombrou o veterinário. Ele nunca ouvira uma explicação mais reconfortante. Ele disse: “As pessoas nascem e devem aprender a ter uma boa vida, a amar todo mundo, o tempo todo, e a ser bom.” E continuou: “Os cachorros já nascem sabendo como fazer isto, portanto não precisam ficar tanto tempo.”

Pintando o sete?

Oi pessoas,

Depois de um período sem aparecer.. eu estava tão azeda que achei melhor me recolher e deixar o mal estar passar. Mas vamos falar das novidades, que eu sei que é isso que interessa para vocês, família, amigos e leitores e, principalmente, para o bando de curiosos que acessam o blog.

Espen e o nosso vizinho de baixo, eu nunca consigo escrever o nome dele.. Wolf ou algo assim, resolveram mudar a cor das casas, achei ótimo, apesar de gostar da cor atual. Depois de conversarem sobre o assunto e resolverem as cores a serem usadas, começou a pintura. Adivinhem quem vai meter a mão no pincel também? É minha gente.. não escapei. Essa semana eles já começaram a pintar as laterais e a parte de trás que fica virada para o norte, de onde vem aquele vento gelado.

Segundo meu marido, essa primeira mão de pintura tem que ser feita agora, antes do frio brabo chegar e começar o congela-descongela-chuva-neve-ventos, daí depois que esquentar de novo (rezando para isso ser LOGO – iludida eu) pintamos mais uma vez e então só dali a uns 7 anos. Então vamos lá né.. eu que nunca pintei uma porta vou me meter nessa aventura de pintar a casa. Ainda vou pintar um armário que vamos usar em casa. Aguardem por fotos..

Fora isso, continuo minhas tentativas de acertar a mão com a comida aqui. Alguns ingredientes respondem diferente do que eu usava no Brasil. Por exemplo o creme de leite, ainda não achei igual ao que usava no Brasil, em lata e de consistência espessa, só achei um krem que usei para preparar o pavê de abacaxi. Ficou bom, mas já sei que na próxima vez não preciso “bater” o creme (apesar dele ser mais ralo)  e devo usar o dobro da receita para ter fartura de creme.

Preciso cOmprar um liquidificador para experimentar uma nova receita e preciso descobrir o nome do amido de milho aqui. O que mais gosto são os molhos e cremes semi prontos para usarmos nas massas e saladas. Sem falar nos diferentes tipos de chás.. mandam o frio embora por uns instantes e me dão prazer os novos sabores.

Falei que encontramos a vizinha beberrona outro dia, quando voltávamos de um passeio? Pena que não era eu no volante… se não teria ido pro alto ela e a bicicleta junto.  Hehe.. Pronto, agora já sei que ela tem cara de bunda e é magrela, além de ter uns cabelos pretos meio estranhos.. mas dá para dar uns bons puxões na hora da briga! Mentira gente, eu não faria isso, meu marido ia passar vergonha e eu passaria atestado de idiota ciumenta e possessiva.

Outra coisa boa que aconteceu essa semana, no meio da crise existencial que eu estava, foi que conheci mais duas brasileiras tão fofas e tão bacanas que virei fã. Fui com a Natália jantar na casa da Raquel, que acabou de ter uma nenêzinha tão linda, ela nos recebeu muito bem, tem um astral tão para cima que contagia. Rimos, nos divertimos e me senti menos solitária no meio desse mundo gelado. Curioso é que a Raquel também é gêmea, a irmã Ruth vive na Alemanha. Vocês lembram que minha irmã gêmea chamava Raquel também né? Gosto quando a vida nos mostra as “coincidências”, porque sei que nada nos acontece sem uma razão.

Ahh e hoje completamos um ano de namoro/noivado, parabéns para nós dois! Então é isso, em breve fotos da casa antes e depois, quem sabe dos trabalhadores pintando o sete..? ;)

A Tristeza Permitida

Se eu disser pra você que hoje acordei triste, que foi difícil sair da cama, mesmo sabendo que o sol estava se exibindo lá fora e o céu convidava para a farra de viver, mesmo sabendo que havia muitas providências a tomar, acordei triste e tive preguiça de cumprir os rituais que faço sem nem prestar atenção no que estou sentindo, como tomar banho, colocar uma roupa, ir pro computador, sair pra compras e reuniões – se eu disser que foi assim, o que você me diz? Se eu lhe disser que hoje não foi um dia como os outros, que não encontrei energia nem pra sentir culpa pela minha letargia, que hoje levantei devagar e tarde e que não tive vontade de nada, você vai reagir como?

Você vai dizer “te anima” e me recomendar um antidepressivo, ou vai dizer que tem gente vivendo coisas muito mais graves do que eu (mesmo desconhecendo a razão da minha tristeza), vai dizer pra eu colocar uma roupa leve, ouvir uma música revigorante e voltar a ser aquela que sempre fui, velha de guerra.

Você vai fazer isso porque gosta de mim, mas também porque é mais um que não tolera a tristeza: nem a minha, nem a sua, nem a de ninguém. Tristeza é considerada uma anomalia do humor, uma doença contagiosa, que é melhor eliminar desde o primeiro sintoma. Não sorriu hoje? Medicamento. Sentiu uma vontade de chorar à toa? Gravíssimo, telefone já para o seu psiquiatra.

A verdade é que eu não acordei triste hoje, nem mesmo com uma suave melancolia, está tudo normal. Mas quando fico triste, também está tudo normal. Porque ficar triste é comum, é um sentimento tão legítimo quanto a alegria, é um registro de nossa sensibilidade, que ora gargalha em grupo, ora busca o silêncio e a solidão. Estar triste não é estar deprimido.

Depressão é coisa muito séria, contínua e complexa. Estar triste é estar atento a si próprio, é estar desapontado com alguém, com vários ou consigo mesmo, é estar um pouco cansado de certas repetições, é descobrir-se frágil num dia qualquer, sem uma razão aparente – as razões têm essa mania de serem discretas.

“Eu não sei o que meu corpo abriga/ nestas noites quentes de verão/ e não me importa que mil raios partam/ qualquer sentido vago da razão/ eu ando tão down…” Lembra da música? Cazuza ainda dizia, lá no meio dos versos, que pega mal sofrer. Pois é, pega mal. Melhor sair pra balada, melhor forçar um sorriso, melhor dizer que está tudo bem, melhor desamarrar a cara. “Não quero te ver triste assim”, sussurrava Roberto Carlos em meio a outra música. Todos cantam a tristeza, mas poucos a enfrentam de fato. Os esforços não são para compreendê-la, e sim para disfarçá-la, sufocá-la, ela que, humilde, só quer usufruir do seu direito de existir, de assegurar seu espaço nesta sociedade que exalta apenas o oba-oba e a verborragia, e que desconfia de quem está calado demais. Claro que é melhor ser alegre que ser triste (agora é Vinícius), mas melhor mesmo é ninguém privar você de sentir o que for. Em tempo: na maioria das vezes, é a gente mesmo que não se permite estar alguns degraus abaixo da euforia.

Tem dias que não estamos pra samba, pra rock, pra hip-hop, e nem pra isso devemos buscar pílulas mágicas para camuflar nossa introspecção, nem aceitar convites para festas em que nada temos para brindar. Que nos deixem quietos, que quietude é armazenamento de força e sabedoria, daqui a pouco a gente volta, a gente sempre volta, anunciando o fim de mais uma dor – até que venha a próxima, normais que somos.

Martha Medeiros

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E a dor sempre vem… sempre vem.

Alguém explica?

Olá pessoas,

Desculpem o sumiço esses dias, mas estava ocupada com a Samira aqui em casa. Na segunda-feira fomos a Oslo e andamos feito camelo no deserto, exceto pela parte de que no deserto não faz frio, é claro. Voltei morta, mas ainda quero ir mais uma vez para visitar outros lugares. Ontem Sami foi para a Suécia de manhã cedo e eu pensei que poderia relaxar com meu marido à noite… Até um amigo dele chegar de surpresa aqui e ABRIR  a porta! Na hora pensei “Como assim? E se eu estivesse aqui na cozinha no maior amasso com Espen? Povo estranho.

Depois do jantar fomos comer um pedaço de bolo com os vizinhos aqui de baixo, tão gentis que eu esqueci um pouco do medo de estar entre os noruegueses. Espero em breve poder conversar com eles em norueguês. Sabe quando você se sente à vontade perto de alguém? Pois é.. eles são realmente bacanas.  Depois de uma boa conversa, nos despedimos e subimos para nossa casa.

Eu que esperei pelo Espen o dia todo, pensando que finalmente poderíamos relaxar e ter um tempo à sós, para namorar, depois de longos cinco dias sendo cicerone da minha amiga, tive a desagradável surpresa de ter uma vizinha batendo na nossa porta às onze e meia da noite, na maior cara de pau.

Como não entendo o idioma fiquei só escutando, não fui lá na porta ver o que era, podia ser alguma emergência com os filhos dele, poderia ser alguém que ele conhecesse precisando de ajuda. Não quis  agir por impulso, Espen entrou e disse que ela tinha vindo perguntar se tinha álcool. Não era álcool que usamos para esterelizar as coisas (ou colocar fogo em pessoas inconvenientes como ela), era cachaça, whisky ou  derivados mesmo. Fiquei cega de raiva.

Eu só lembro que perguntei a ele.. quem era, o que ela queria e se ela sabia que ele tinha alguém  na vida dele. Não adiantou ouvir que ela tem namorado (um banana né, para deixar/mandar a mulher ir pedir bebida no vizinho),  por que não veio junto com a ébria perguntar da bebida? Também não adiantou dizer que a maluca já havia ido inclusive fazer o mesmo pedido aos nossos gentis vizinhos de baixo.. foda-se! Como assim, a mulher vem bater na porta do vizinho tão tarde? E se nós estivéssemos transando, dormindo, com crianças em casa, doentes.. sei lá.. heim, heim?

Nessa hora me arrependi de não ter ido até a porta perguntar o que era, quem era a sujeita. Claro que isso arruinou minha noite. Eu tenho horror a pessoas inconvenientes e sem noção, que não usam o bom senso e abusam da boa vontade alheia. E elas abusam mesmo! Acho bom ela não aparecer aqui de novo… Não sou barraqueira, mas detesto isso, se ela voltar vai escutar meia dúzia de coisas. E outra… quer encher a cara? VAI COMPRAR!

Fim de semana em Stavanger

Oi pessoas, passamos o fim de semana em Stavanger. Havia uma exposição de relógios e Espen e o pessoal do trabalho foram lá conferir. Chegamos na sexta à noite, jantamos num restaurante charmoso e meu pedido foi bacalhau, uma delícia. Leram a informação pessoas que sempre me perguntam sobre o bacalhau da Noruega? Quem come muito bacalhau mesmo são os portugueses, ao contrário do que vocês pensam..hehe. Teve um passeio de barco no sábado, mas eu não quis ir, aproveitei para encontrar a Priscila, jantei com ela e o Henning, conversamos e rimos um bocado e foi realmente ótimo ter enfim conhecido minha amiga.

Voltei para o hotel e Espen já havia voltado do passeio de barco.. um pouco alto. Morri de rir com a situação, conversamos e rimos, eu mais que ele porque não entendia nada do norueguês/inglês que ele falava. No dia seguinte no café da manhã o povo se encontrou de novo, todo mundo com cara de que tinham bebido um bocado. O amigo do Espen que fez nossas alianças (que eu não lembro o nome) estava na festa também e confessou ter voltado pior que ele.

A viagem de volta foi longa e romântica, com lindas paisagens, a natureza impressiona com tanta beleza. Fomos pelo caminho mais curto, mas voltamos pelo mais longo, pelas montanhas. Almoçamos pratos típicos  da Noruega numa da paradas que tinha na estrada e o lugar também era lindo, como vocês podem ver nas fotos. Pena que a bateria da câmera acabou quando chegamos na igreja Haddal Stave, que eu queria tanto visitar. Mas voltaremos lá com calma e prometo mais fotos.  Leiam mais sobre a história dela e de outras típicas igrejas como essa em norueguês aqui, em inglês aqui e o site oficial da Heddal Stave Church. Comprei também uns cartões postais lindos para enviar para a família e amigos. O seu já já chega Daniela Pontes :)

Tentando ainda me entender com o Slideshow, quando conseguir fazê-lo funcionar eu ajeito aqui a exibição de imagens.

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Preciso de uma muambeira!

Sério…! Ok, não vou morrer sem algumas coisinhas, até porque consigo encontrar uns genéricos que substituem. Mas seria ótimo ter uma amiga vindo para cá de vez quando para me trazer feijão, farinha e outras tranqueiras. Depois do meu desabafo no último post, e de todo carinho e apoio que recebi através dos comentários no blog, FB e email.. vejo que não está tão ruim quanto eu pensava.

Semana que vem minha amiga Samira chega em terras norueguesas para ficar três dias conosco e, claro, trazer umas coisinhas para mim. Havaianas, feijão, farinha, dois novos alicates de unha e umas coisas que acabei esquecendo no Brasil. Hoje fui atrás de um alicate aqui mesmo, já não aguentava mais olhar minhas unhas tenebrosas com cutículas gigantes. Mas o alicate é diferente aqui, foi um custo usar. Não tem aquela ponta fininha que é ótima para tirar aquela pele que fica escondidinha lá no canto e achei pouco amolado. Anyway, deu para arrumar as unhas do pés. Não sei se marido repara, mas eu me sinto horrorosa sem unhas feitas!

Engraçado que, conforme Camila e outras meninas já comentaram, nem todos falam inglês aqui com eu imaginava. Já tinha ouvido falar sobre os mais velhos, eles tem mais dificuldade com isso, uns nem sabem mesmo falar em inglês. Ok, mas a vendedora da loja também não falava muito, e ela não era tão mais velha assim, mas foi bem gentil mesmo assim, usando o que ela sabia para me atender.

PS. Meu marido quer me embebedar, estou sacando isso.. todo dia me oferece uma taça de vinho enquanto faz o jantar… ha ha.

Amanhã começamos a nos preparar para viajar para Stavanger na sexta-feira. Limpar o carro, separar o que vamos levar e carregar a bateria da câmera, até comprar outra para mim, vou usando a do Espen mesmo. Vou jantar, comidinha pronta e vinho na idéia.. E beijinhos de sobremesa.

Beijundas